Tecnologia, relógio de cabeceira e celular durante a noite
Tecnologia e cotidiano

O Vai e Vém da Tecnologia

Como um Relógio de Cabeceira “Antiquado” Melhorou Minhas Noites

Tecnologia não tem idade

Ela está no bolso, na sala, no trabalho e até na cabeceira da cama. Aos 20, 40, 60 ou 80 anos, a questão talvez já não seja apenas ter mais tecnologia, mas saber qual delas realmente melhora a nossa vida.

Neste relato, Sérgio Grinberg parte de uma situação simples do cotidiano para chegar a uma conclusão curiosamente contemporânea: às vezes, avançar também significa voltar a uma solução mais simples.

O assunto é o relógio de cabeceira, talvez também despertador.

Acho muito interessante compartilhar esta minha experiência com um dispositivo tecnológico. Lembrando que sou muito conectado com tecnologia — faz parte tanto da minha profissão quanto dos meus gostos. Sempre fui um entusiasta tecnológico.

A necessidade

Com o passar do tempo, eu — e provavelmente todos — preciso acordar à noite para ir ao banheiro. Tudo escuro, uma luzinha, pelo menos, é necessária, e com muito cuidado para não perturbar quem divide a cama ou o quarto.

Para isso, um dispositivo que uso há bastante tempo são aquelas luzinhas conectadas a uma tomada na parede, com sensores de presença e de falta de luz, que acendem um LED fraco quando está escuro e o sensor detecta movimento. Ajudam bastante a evitar o escuro total e iluminam o suficiente para encontrarmos o caminho com segurança, sem obstáculos.

Ultimamente, com o sono mais difícil e mais interrupções, senti a necessidade de consultar o horário ao acordar. Aí é que complicou.

Eu não uso relógio de pulso em casa; me incomoda e não sinto necessidade. Mesmo fora de casa, existem tantas possibilidades de consultar o horário que o relógio de pulso fica mais como enfeite ou velho hábito.

Assim, fica bem conveniente ter o celular ao lado da cama e, ao abrir os olhos, é só puxá-lo, dar uma iluminadinha rápida, com cuidado para não atrapalhar, e consultar o horário. Nada mais atual em termos tecnológicos, com a vantagem extra do uso dos aplicativos de despertador, que permitem vários horários e várias combinações dentro do dia e da semana.

A armadilha do celular

Após um tempo nessa rotina, percebi que, ao pegar o celular para consultar o horário, a curiosidade me levava a dar uma olhadinha nas últimas mensagens do WhatsApp, nos últimos e-mails, nas últimas notícias, talvez nas redes sociais.

“Olhadinha” que ia longe, junto com o sono. Voltar a tentar dormir muitos minutos mais tarde significava menos horas de sono reparador.

A busca pela solução ideal

Precisava de outra solução para apenas checar o horário, sem outras distrações.

Então me lembrei de tecnologias passadas, começando pelo bem antigo relógio despertador. Não, este não… Nem sei se ainda é possível encontrar um. Pode ter o barulhinho do “tic-tac”.

Então, o estágio seguinte: o rádio-relógio. Sim, pode funcionar, mas não preciso investir tanto, já que rádio não é necessário.

Pesquisando nos sites de comércio eletrônico, vi que existem relógios digitais bem baratinhos. Têm alarme, mas aí prefiro o do celular, que é muito mais conveniente.

Comprei um desses relógios com alarme — até o de menor preço, afinal, só precisava da marcação do horário. Após algumas noites, percebi que faltava a possibilidade de iluminar o mostrador. Não resolveu.

Voltando à pesquisa, o próximo escolhido, apenas um pouquinho mais caro que o anterior, foi um relógio despertador com um botão superior que ilumina o mostrador. Ótimo! Este vai resolver. Como um passo tecnológico a mais, indica também a temperatura.

Instalei. O botão iluminador funciona, a luzinha não atrapalha… Ótimo!

Depois de alguns dias, fiquei imaginando quanto tempo as três pilhas iriam durar. Vou ter que providenciar estoque de pilhas, além de que não preciso saber a temperatura interna do quarto. A temperatura de fora seria mais interessante.

Daí veio a necessidade de um passo atrás na tecnologia, e descobri modelos mais antigos dessa função de relógio/despertador, com aqueles mostradores de luzinhas vermelhas — os primeiros digitais —, que não apagam e são conectados à tomada da parede, sem uso de pilhas.

03:17

Um relógio simples. Ligado à tomada. Sempre visível. Sem notificações, notícias, mensagens ou redes sociais disputando alguns minutos de sono.

Por enquanto funciona

Pronto! Não é a última tecnologia, talvez a antepenúltima, mas é a que melhor atende.

Não usa pilhas, não preciso pressionar botão para acender a luz, e a iluminação não atrapalha o escuro do quarto — até ajuda na hora das levantadas.

O celular ainda fica ao lado da cama porque, como despertador, para mim é a melhor solução, mas, para ver o horário, é com o reloginho sempre iluminado.

Os avanços tecnológicos são muito importantes, facilitam nossas vidas, e temos que ficar sempre atentos ao estado da arte. De vez em quando, podem ser incluídas novidades aparentemente interessantes, mas que não contribuem na prática.

Às vezes, o verdadeiro avanço está em reconhecer quando uma solução mais simples e focada pode ser superior a uma mais moderna e multifuncional.