Uma história real que une fé, ciência e a sabedoria milenar da Medicina Tradicional Chinesa

A Doença de Chagas é uma das chamadas doenças negligenciadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 7 milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas pelo Trypanosoma cruzi, o parasita causador da doença. No Brasil, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas convivam com ela — muitas sem diagnóstico e sem acesso ao tratamento adequado. Entre essas estatísticas, está Dona Aparecida Benedita Francisco dos Santos, mulher simples, nascida em Votuporanga (SP), que viveu parte da infância em casas de barro e sapê — o ambiente perfeito para o bicho barbeiro, inseto transmissor da doença. “Eu dizia que tinha uns bichos me picando à noite”, relembra. “Naquela época, ninguém sabia que era o vetor da Doença de Chagas.” Hoje, mais de um século após a descoberta feita por Carlos Chagas em 1909, ainda há pouca visibilidade sobre a doença e sobre o sofrimento de quem a carrega.

A luta de Dona Aparecida

Quando procurou atendimento em 2022, Dona Aparecida apresentava sintomas marcantes: dores intensas na lombar e nas pernas, inchaços, cansaço e dificuldades digestivas. Tinha diagnóstico confirmado de Doença de Chagas crônica, além de outras condições de saúde associadas.
Foi nesse cenário que iniciou seu tratamento com acupuntura, conduzido de forma contínua e acompanhada. O foco inicial era aliviar as dores físicas, mas o processo revelou algo muito mais profundo: o reequilíbrio de todo o organismo.

A visão da MTC: quando o corpo fala por dentro

Na MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC), o corpo humano é visto como um sistema integrado, em que mente, órgãos e emoções se influenciam mutuamente. A Doença de Chagas, sob essa ótica, afeta principalmente o CORAÇÃO, o BAÇO-PÂNCREAS, o ESTÔMAGO, o PULMÃO e o RIM — órgãos ligados ao equilíbrio do sangue, à digestão, à imunidade e às emoções.
Segundo a MTC, o CORAÇÃO (ZANG) é o “imperador do corpo”, responsável por governar o sangue e abrigar a mente. O BAÇO-PÂNCREAS (ZANG) transforma e transporta os nutrientes, e quando enfraquecido, permite o acúmulo de Umidade interna — um fator patogênico que pode causar inchaços, fadiga e dores. O RIM (ZANG), por sua vez, é a raiz da energia vital e precisa estar fortalecido para sustentar a vitalidade do organismo.
Como descreve Giovanni Maciocia (2007), “qualquer doença persistente tende a debilitar o BAÇO e conduzir à formação de Umidade e Fleuma”. É essa lógica que ajuda a entender o quadro de Dona Aparecida: o corpo enfraquecido pela doença crônica retém líquidos e energia estagnada, dificultando a circulação do QI e do XUE (Sangue).

O tratamento e o renascimento

O plano terapêutico envolveu agulhamento pelo corpo com estimulações, moxabustão de Artemísia e uso de magnetoterapia, com sessões regulares ao longo de três anos, com um total de 147 sessões — nas quais se trabalharam pontos estratégicos para eliminar a Umidade, tonificar o Sangue, circular o QI e fortalecer a imunidade. A cada encontro, observava-se melhora: redução das inflamações, alívio das
dores, melhora do sono, e retomada da disposição física e mental. Em agosto de 2025, o resultado surpreendeu a todos: o exame de sangue
apresentou valor 0,72, classificado como não reagente para Doença de Chagas.

Entre a fé, a energia e a ciência

Não se trata de milagre. A acupuntura é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma prática eficaz no tratamento de diversas condições, especialmente na regulação do sistema imunológico e circulatório. Mas há algo que a ciência ainda tenta medir: a força da fé e da perseverança. Dona Aparecida manteve a constância do tratamento, acreditou, e reconstruiu seu equilíbrio físico e emocional. Como diz uma frase que marcou este processo:

“Nada sobrando, nada faltando. Tudo em equilíbrio.”
Professor Rogério Suguitani

Reflexão final

Doenças como hipertensão, diabetes e depressão são amplamente discutidas na mídia. Mas a Doença de Chagas ainda permanece invisível — mesmo sendo responsável por milhares de mortes por ano. Histórias como a de Dona Aparecida mostram que é possível unir o
conhecimento ancestral da MTC, a força da ciência e a fé humana na recuperação da saúde. Mais do que um caso clínico, esse é um convite para enxergarmos o corpo não apenas como biologia, mas como energia, emoção e propósito. Texto adaptado a partir de relato clínico real e fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa. As práticas integrativas devem ser realizadas por profissionais habilitados e não substituem

REFERÊNCIAS

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da
  • Doença de Chagas. Brasília, 2018.
  • DIAS, J. C. P.; SCHMUNIS, G. A. Trypanosoma cruzi, Chagas disease and
  • blood transfusion: a review. Vox Sang., 1997.
  • MACIOCIA, G. The Foundations of Chinese Medicine. Churchill Livingstone,
  • WHO. Chagas disease (American trypanosomiasis). Geneva: World Health
    Organization, 2023.
  • NOGUEIRA, P. R. et al. Serological evolution in chronic Chagas disease. Rev
    Inst Med Trop São Paulo, 2012.
  • PECHENIK, S. et al. Immunomodulatory effects of acupuncture. Medical
    Acupuncture, 2018.

Aprecie também a obra “Reconectar: a superação de três AVC’s com a transformação pela acupuntura”
escrita pelo Hugo Paino que está à venda na LivrariaPoloBooks.

Clique na imagem abaixo.